Se há um lado
que te odeia, existe outro que te deseja, te ama e continua a amar, nada mudou
desde então, passaram horas, dias, meses, e nada escasseia, a saudade, a
vontade, o amor, parece que o tempo parou, e eu parei junto com ele, num espaço
onde apenas existes na minha memória, por outro lado, eu odeio-te, odeio-te
pelos simples facto de te querer tanto, da tua ausência me perturbar assim,
odeio-te pelo simples facto de te amar, como nunca amei ninguém.
E perturba-me
este trambolhão de sentimentos, que não me largam, e se uma parte de mim não te
quer por perto, a outra deseja ter o teu cheiro, o teu toque, a tua voz,
resumindo deseja-te a ti, tu marcaste bem fundo no meu peito, e o do lado
esquerdo chora quando se lembra de nós, maldita saudade, malvados sentimentos, cruel
dor, e mau tormento.
Deixa-me
repugnar isto, aquilo e tudo a que tenho direito, quero revoltar-me perante
isto e o mundo, cansei-me da dor, mas que ironia a minha, não me cansei de ti. Ainda
hoje, em segredo para ninguém ver, eu coloco a nossa aliança, e recordo o dia
em que a empregamos pela primeira vez, um dia nosso, um momento único, e nada
mais interessava, nem horas, nem o tempo, nem o espaço, nada, nem mesmo a família,
estávamos apenas focados em nós.
E quando fazíamos
amor, eu fervia, querendo mais, com medo que pudesse acabar e depois tudo isso
não passasse de uma recordação, e afinal, tinha razão, agora não passa disso
mesmo, uma memória… uma lembrança que deixa saudade e vontade de a rever de
novo. E quando te vejo, quando sorris, acalmas o meu coração e a minha alma…
prevalecendo a vontade de te ter por perto…
Custa tanto
aceitar que acabou, e custa mais ainda ter de lidar com este amor em segredo,
eu fecho os olhos e adormeço a sonhar contigo, com o toque dos teus lábios e o
gosto do teu beijo, ah se tu soubesses o quanto ainda te desejo, a falta que me
fazes, tal como o calor do teu abraço, que me confortava a alma e me dava força
para acordar de manha, por saber que te tinha, e tu eras o motivo dela e agora…
agora vivo neste tormento de ter de lidar com a puta da realidade, essa cabra
que me devora a cada dia que passa, e para o resto do mundo tudo está bem, tudo
passou, tudo acabou, quando está tudo mal, e da minha tudo continua, nada
acabou…
Disseste que com
o tempo a dor ia embora, tal como todo o resto, mas mentiste, mentiste desalmadamente
porque, ela não foi, nada se foi, tudo ficou e só o tempo é que continua…
embora até isso para mim tenha na realidade parado…
Perdoa-me a
sinceridade mas é o melhor a fazer neste momento, viver sem ela, te garanto que
não aguento.

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